Imagine uma cidade cortada pelo mar, com toda beleza que isso representa, e, ainda por cima, sem lixo. Não é fácil encontrar um lugar assim: quase metade de todo o plástico produzido pelo homem termina no mar. Durabilidade, estabilidade e resistência a desintegração; as propriedades que fazem do plástico um dos produtos com maiores aplicações e utilidades ao consumidor final, também o tornam um dos maiores vilões ambientais.
São produzidos anualmente cerca de 100 milhões de toneladas de plástico e cerca de 10% deste total acabam nos oceanos, sendo que 80% desta fração vêm de terra firme. Pesquisadores alertam para o fato de que toda peça plástica que foi manufaturada desde que descobrimos este material, e que não foram recicladas, ainda estão em algum lugar.
Segundo PNUMA, o programa das Nações Unidas para o meio ambiente, este plástico é responsável pela morte de mais de um milhão de aves marinha todos os anos. Sem contar toda a outra fauna que vive nesta área, como tartarugas marinhas e centenas de espécies de peixes.
Uma pesquisa feita em 2009 pelo Projeto Tamar em cinco estados brasileiros - Ceará, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, São Paulo e Santa Catarina - revela que de cada 10 tartarugas mortas, quatro morreram porque ingeriram lixo. Dentro de uma única tartaruga verde encontrada no litoral capixaba tinha plástico de toda espécie e tamanho; canudo, tampa de garrafa pet, etc. E para piorar essa sopa plástica pode funcionar como uma esponja, que concentraria poluentes super resistentes. Qualquer animal que se alimentar nestas regiões estará ingerindo altos índices de venenos, que podem ser introduzidos na cadeia alimentar humana. Uma garrafa de vidro vai demorar 1 milhão de anos para desintegrar. O saco plástico que você pega no supermercado e depois joga no lixo ficará na natureza por 450 anos. Isto significa que séculos depois que você não estiver mais na Terra o lixo deixado por você ainda estará aqui atrapalhando a vida da humanidade. Fechando o ciclo: o que fazemos a terra retorna a nós, seres humanos.